Proprietários de Harley vão para a estrada fazer amigos

Laranjeira e Penélope formam uma dupla e tanto. Pelo menos duas vezes por ano, os dois “caem” na estrada para reencontrar velhos amigos e fazer novas amizades. Ele é advogado internacional e reside nos Estados Unidos. Ela, uma Harley-Davidson Ultra. A moto fica em São Paulo, onde o advogado mantém um apartamento. Quando vem ao Brasil a trabalho, Laranjeira sempre arruma um jeito de conciliar a obrigação com a diversão.

No Primeiro Encontro de Harleyros de Maringá, que trouxe motociclistas de vários Estados, Laranjeira embarcou somente para voltar à cidade que conheceu em 1960 e prestigiar o aniversário de um dos amigos harleyros. “Vamos sempre aos encontros realizados pela primeira vez”, diz ele. A paixão que já o fez rodar 70 mil quilômetros começou há cinco anos. O “batalhador contumaz” decidiu que ao completar 60 anos não usaria mais gravata e relógio e deixaria o cabelo crescer.

Se o rabo de cavalo ficasse bonito, compraria uma Harley-Davidson. Nove meses depois, com o aval da mulher, ele comprou Dolly, a Ultra que fica em Boca Raton, na Flórida. “Sempre andei de motocicleta, mas faltava o espírito. A Harley é mais do que uma moto. Ela simboliza a liberdade e a amizade”, diz ele. Em fevereiro, Laranjeira deu a volta na Flórida com quatro amigos brasileiros, os mesmos que encontrou em Maringá neste fim de semana. “Não importa o que faça ou o quanto você tem, mas a máquina que pilota. Ela é que nos agrega.”

Na companhia do irmão e do filho, Laranjeira está propenso a percorrer, em 2011, os 15 mil quilômetros que separam a Flórida do Alasca. Mais do que uma grande aventura, ele garante que é só uma desculpa para andar de moto.

Volta à infância

O advogado não se arrepende de ter sido contaminado com o espírito harleyro há pouco tempo, mas reconhece que a vida ficou melhor depois que descobriu o universo resumido pela máxima “de carro se vê a paisagem. De moto, se é a paisagem”. O empresário paulistano Antônio Battistella também acredita que a Harley-Davidson entrou na sua vida no momento certo. “Era preciso deixar de pensar só em negócio e voltar a brincar”, conta.

O caro brinquedinho, uma Springer zero quilômetro, foi adaptado para se parecer com o modelo 97, por sua vez inspirado no modelo 1937. Ao contrário de Laranjeira, Tela, como é conhecido entre os harleyros, chegou até a lenda sobre duas rodas por indicação médica há 12 anos. Sem saber nem engatar a marcha, ele demorou dois anos para conseguir a habilitação. Nesse tempo, aprendeu tudo sobre a marca, para ele a única que quebra todos os tabus sociais ou financeiros. “Ninguém pergunta o que o outro faz, a empatia é automática”.

Outra lição importante foi saber que faz parte de um mito mundial. Tela já rodou 200 mil quilômetros e cultiva a disposição para dar uma grande volta por países europeus e cruzar a América do Norte. Apesar das boas amizades e do prazer em viajar na companhia de outros harleyros, Tela revela que prefere viajar sozinho. “Cada viagem é um encontro comigo mesmo e com Deus”.

De Maringá, o empresário pega a estrada até Foz do Iguaçu e retorna para São Paulo no meio da semana. Como autêntico harleyro, ele sabe o dia em que sai de casa, mas deixa a estrada definir o destino final e a hora de voltar.

Fonte: Jornal O Diário do Norte do Paraná

http://www.rockriders.com.br

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